Cute Pink Kaoani

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dia de mudança...



Chinelo de baixo da cama. Arrasta pra lá pra cá, pra lá. Iiii! Olha lá é aquele par que não conseguia encontrar. Arruma daqui e dali... Embrulha o que não vai mais usar. Nossa! Olha aquela peça rosa que eu vivia á procurar. Empurra pra lá. Deixa aqui, leva pra cima, deixa em baixo. E ta lá aquele brinquedo que o João vivia a caçar. Uma perna de boneca que a bonequinha que anda daqui de casa nem liga mais, não quer mais brincar. Caiu aqui, a tampa abriu e olha só! Quantas fotos da outra história contada na casa de lá. Ops! Segura ai! É a fantasia de pirata do Gurizinho aqui de casa que não fantasia mais ou ser vilão. Talvez, Um aviador, policial ou doutor. Mas era só felicidade vê-lo todo sonhador.
Olha ali, o que há nessa caixa, serão as roupas de frio de tantas viagens passadas? Agora deu até frio. E o cobertor que aquecia em dias de serra quando pequena na casa da vovó. Aquela touca, e quanto riso provocava, e a risada da Mãezinha pela casa por histórias que eu inventava só pra ver ela toda se rindo. Mais uma foto. E se não é a do cachorro que tantas vezes provocou choro por não poder mais estar comigo. Isso é meu! Peraí! Não joga no lixo. É papel de carta da primeira carta que escrevi para um amigo. Lendo isso e meu sorriso toma todo o meu espírito. Como é bom ter amigos. Joga fora isso aqui, olha aí. Não pisa no meu urso. Ele tem história e talvez por isso cada vez que o pego no colo no silêncio de só mais um objeto, pra mim ele conta algumas histórias de lágrimas e risos. Olha lá! Lá vem a Jéssica a segurar o porta retrato com a foto do Tio. Quem será que eu achava com ele parecido? Hoje mais parece que renasceu aqui em casa no corpinho do João Vitor. Segura ai a pasta. Cuidado pra não cair os escritos guardados daquele passado vazio. Abri a porta do guarda-roupa e dou de cara com o vestido daquela noite que eu achava ser um luxo. Quanta impressão do que eu ainda não tinha noção do que realmente é ter, ser um luxo. Tira daqui, põe ali. Coloca no quartinho dos guardados e trás pra cá o que quero guardar dentro da porta principal que abro todos os dias ao acordar nesse meu novo mundo. E não poderia falta. Olha lá de novo a Jéssica a me mostrar o primeiro sapatinho do João e eu a me lembrar do calção que eu punha com aquele conjunto. Hahaha... Saudades daquele tempo que não baldeava a sapateira e só calçava e vestia ou tomava a mamadeira nos braços da mamãe e sorria cheio de alegria. Faz eu pensar em adiantar um pouco a chegada da Sofia. Hahaha... Cansei vou sentar aqui. Parar um pouco pra sonhar com o futuro. O que será que daqui a alguns dias vou ter pra contar a vocês sobre esse novo caminho, esse futuro? E lá esta minhas coisas misturadas as dele e a cama esperando por nós nesse nosso novo mundo. Minha bagunça organizada, nessa vida por vezes sem pé nem cabeça, e o porta retratos por sobre a mesa querendo contar a história do nosso futuro. O jeito é colocar o pé e a cabeça em rumo a esse novo destino, a essa nova proposta de futuro. É uma aposta. Mas toda vida aqui na terra colocada nada mais é que isso. Uma aposta feita por alguém que deseja nós ver a escrever em linhas diferentes ou mais acertadas a nossa jornada pela vida, em cada chance de retomada que é lançada ao nosso espírito.
Lia Joca

Da desordem dos recomeços.

Em nenhuma das costuras que nos remendam ficaremos inteiros: eu, você, você, eu. Hão de se esgarçarem aos impactos, hão de se arrebentarem nas rochas.
Em nenhum dos retoques ficaremos refeitos. Duas cicatrizes de feridas que sempre doerão e continuarão se abrindo pelo ardor de memórias.
Em todos os consertos nos sobrarão rachaduras. Seremos sempre esse desencaixe. Mãos que não se entrelaçam suores que não colam pés que não se enroscam. A cara metade deformada pelo tempo e pela tênue linha entre o amor e ódio, filhos da mesma chama: brasas de uma única fogueira, que fagulham juntas, mas morrem por ventos de distintas direções. Um contorno mal feito, uma descombinação, um descompasso, uma desproporção.
Uma história sem pé nem cabeça.
Samantha Abreu

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Deixe aqui seu comentário e seja sempre muito bem vindo á postar aqui suas sugestões para postagens e opinião sobre o que pode ser interessante de ser encontrado aqui.

Abraço

Lia Joca