Cute Pink Kaoani

sábado, 23 de abril de 2011

De gente grande!



Não sei exatamente o que senti hoje! Não sei exatamente como explicar, mas vou tentar! Olhando todo o tumulto do reencontro de pessoas da minha família que á anos não se viam por conta do dia em que a matriarca da família Joca faz 100 anos notei-me nostálgica, pelos tempos que éramos como as crianças que corriam em volta de nós. Hoje os bisnetos de minha Avó. Se fechar os olhos posso ver-me em meio aquela briga pelos brigadeiros, colo da Voinha, beijo da tia mais querida e atenção do tio caçula tão requisitado. Posso lembrar bem do sorriso dela em meio a nossa zueira de criança, do carão pelo desconfiado dedinho no bolo, entre outras traquinagens. Como era bom! Como tive saudades do tempo em que bastava um colinho e o joelho doído já não latejava mais. Bastava um olhar reconfortante e aquela bronca já era esquecida. Como tenho saudades do tempo que não precisava decidir coisas grandiosas. A maior coisa que decidia aquela época era o tamanho do choquito que dividiria com meu irmão. O maior problema que tinha era se no domingo a mamãe iria querer ir á casa da Vovó. Nossa! Como era fácil também sentir-me completa, Satisfeita com á vida. Andar por aquela praçinha e alguns quarteirões até chegar á casa da Dona Tereza era tanto. Era tudo. Chegar lá ganhar o maior e melhor abraço do mundo. Sentar á mesa com deliciosos biscoitinhos amanteigados que mais pareciam ser feitos de puro amor. Era a forma de Amor mais verdadeira e palpável que alguém podia me oferecer àquela época. Horas de uma tarde de domingo á preparar aquele biscoito de carinho. Era um amor que nunca magoa. O amor que só soma não precisa dividir ou diminuir de forma injusta nada, nadinha! Não essa forma de amar do nosso mundinho dos adultos onde aprendemos a dividir e diminuir de uma forma injusta, que trás tanta dor, tanta falta de vontade de acreditar na vida e nas pessoas. Tanta amargura pra alma. Como tenho saudades de quando os problemas não passavam de equações matemáticas. De quem descobriu o que e quando. De quando ia ser á prova de inglês ou que horas o Pai ia chegar e junto com ele a bronca por se danar. Não que lamente pelo que vivo. Mas lamento tanto por ter chorado tanto por bobagens quando criança. Lamento por não ter certeza que aquela época era só felicidade. Lamento também por ainda não conseguir tão bem encaixar-me em meio á esse mundo de adultos e nossos enormes problemas. Dores inesgotáveis, Amarguras guardadas por uma eternidade. Lamento por gente que não lamenta. Que não sente as dores do mundo, não se compadece com o sofrimento alheio. Lamento por não conseguir ser igual á eles. Gente assim não sente na alma o que sinto agora. Lamento por não poder remediar, lamento porque não aprendi e nunca vou aprender á deixar a dor dos outros pra lá. Lamento pelo filho que carrego e o mundo que vou ter para lhe mostrar. Lamento o tempo perdido por não ter podido aproveitar. Enquanto o mundo por algumas horas me deixava sonhar ser criança a cada hora que te via chegar.
Lia Joca
23/04/2011
20h19min h

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