Cute Pink Kaoani

domingo, 25 de julho de 2010

96 luas depois...



Quarta-feira, sete de abril de 2010
Uma chuva cai
96 luas depois, ela surge. Necessárias outras tantas para que vossos corpos se aproximassem. No entanto, não era chegada a hora. Vagando pela imensidão do cosmos, houve mesmo um momento em que se teve a certeza que não haveria um momento. Direcionaram-se cada vez mais distante e resignar-se era o que lhes restavam. Porém por 144 meses, em todas as noites no exato momento em que o hoje virava ontem ele saia voando de seu quarto. Fizesse frio ou calor, chovesse ou nevasse. Ele simplesmente plainava pelos ares e sabia que todas as almas dançavam freneticamente naquele ritual, gerando um continuo som no universo. O som do universo.

Durante os 144 meses, esse era o ritual que havia de ser feito, mas por mais que ele desejasse, por melhor que se sentisse ao fazer, tinha um sentimento nostálgico que parecia lhe sorrir com desdém a cada solitária volta, até que um dia eles se avistaram novamente e tudo ficou em câmera lenta.

Ele percebeu que daquela forma levaria minutos para encontrar aquele corpo e pela primeira vez conseguia identificar formas e rostos dos outros vultos e permitiu-se observar por alguns minutos. Deu-se conta e buscou visualmente sua utopia. Para seu espanto, parecia em nada ter avançado. Soube que aquilo poderia durar horas e pensou em tudo o que acontecera até chegar ali e as horas foram acumulando-se uma após outras e foram se transformando em dia, em dias e ele entediou-se certa hora. Pensou que estava preso nessa nova dimensão por toda a eternidade e notou que os milhares de corpos celestes que vagavam à sua volta, modificavam-se e mesmo as montanhas ao longe se transformavam em vales ou campos, fazendo-o deduzir que o frenesi para todo o restante continuava. Apenas ele e ela estavam em transe.

Não saberia precisar se foi ao terceiro ou quarto dia que se aproximaram de tal forma que houve a certeza em que se encontrariam e a ansiedade fazia-se maior. Os braços de ambos esticam-se em vão sem poderem se tocar. Som algum podia ser emitido e aguardar era o que lhes restava. Notou-a vestida apenas com uma leve roupa transparente e sentiu vergonha por ela, mas ao olhar-se viu que possuía a mesma vestimenta como uma toga romana. Igualmente transparente e não houve vergonhas ou pudores dali em diante. Uma chuva cai trazendo seus corpos ao ritmo convencional...


Por: Demétrius Carvalho
http://demetriuscarvalho.blogspot.com

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